sexta-feira, 14 de julho de 2017

Baby Driver, o filme que queria que fosse sobre Buddy & Darling.

Se o filme fosse sobre o Buddy e a Darling acho que teria gostado mais da experiência, não culpo os atores por nada disso já que ambos os casais principais tinham química, mas na minha opinião uma aventura com Buddy e Darling seria muito mais divertida de acompanhar do que uma aventura com Baby e Deborah. Consegui comprar o relacionamento dos dois casais em todos os momentos, mas ainda assim senti falta de um melhor desenvolvimento do enredo. Foi como ter personagens símbolos de esteriótipos diferentes e nada além disso.







Me decepcionou um pouco, mas acho que foi por que estava esperando algo incrível e acabei saindo com um enredo que poderia dar muito certo, mas foi mal aproveitado e jogado no cinema com edições visuais interessantes. Não posso reclamar do visual e da escolha da trilha sonora, mas, o fato de que acabei gostando mais do casal de personagens secundários do que do casal de personagens protagonistas acabou me deixando meio que torcendo para um lado e não para o outro, e com isso em mente o desfecho acabou me deixando infeliz. Em questão de montagem o filme foi incrível, mas o tempo passado na montagem deixou os personagens um tanto vazios, e os que eram mais interessantes acabaram terminando de forma decepcionante.
Algumas cenas relacionadas a partes que deveriam nos chocar acabaram sendo legais, mas não tão chocantes já que a decisão dos personagens para com vários assuntos seria mais impressionante se de fato tivéssemos tido mais tempo para entender como a mente deles funcionava. Como um filme de ação não tem ação o suficiente e como um filme de romance não tem um romance central tão interessante de acompanhar. E como um filme de comédia não tem tanta comédia assim. O humor do diretor está estampado em cada detalhe e te faz rir em vários momentos, mas é só isso. Edgar Wright é um diretor e roteirista inovador que sempre trás seu estilo único para seus filmes, mas com a publicidade feita em trailers de Baby Driver minhas expectativas foram altas e o resultado final acabou me deixando com um gostinho amargo na boca. Afinal, este filme estava sendo vendido como o melhor filme da carreira dele, e quando terminei de ver a obra final senti um "tanto faz" e fiquei feliz por que não fui eu quem paguei meu ingresso para assistir por que com toda certeza prefiro usar esse dinheiro para com outros filmes. Como disse acima, não tenho nada a reclamar sobre os atores. O elenco é pesado e incrível, mas bastante mal-aproveitado.



Ansel Elgort foi acreditável em sua atuação, e sua química com Lily James foi bastante aceitável também, mas para mim os personagens secundários foram mais bem exibidos do que os protagonistas, o que é um pecado já que os protagonistas devem ser os mais interessantes, e os secundários devem acompanhar o enredo sendo tão interessantes quanto, mas quando eles são mais interessantes do que os protagonistas cujo foco do filme é levado para, você sente que estaria se divertindo muito mais assistindo um filme sobre os personagens secundários do que assistindo o filme que foi apresentado ao público.
O personagem de Kevin Spacey foi bastante interessante, mas teve um final sem pé nem cabeça e bastante sentimental, o que é patético já que desde o início ele foi vendido como um personagem focado em seus negócios, se queriam um final humanizado, então deveriam ter trabalhado isso mais cedo. Jon Bernthal tinha um personagem extremamente insano que poderia dar pano pra manga, mas foi descartado logo nos primeiros momentos do filme. Minha parte favorita do filme foi Buddy e Darling interpretados por Jon Hamm e Eiza González respectivamente, mas o desfecho deles foi bastante patético e não teve o efeito esperado.
Baby Driver é a prova de que um visual interessante e uma proposta diferente e original não é o suficiente para se fazer uma boa obra. Personagens, personagens, personagens! É o que sempre digo, e neste filme Edgar Wright me deixou sentindo que os melhores personagens não foram bem aproveitados e os piores personagens receberam tempo demais na tela.
Admito que estou bastante decepcionada, mas dou pontos ao diretor e escritor deste enredo por tentar algo diferente. Em questão de funcionamento áudio e visual ele foi perfeito, mas faltou a alma, e um enredo sem alma é tão sem graça quanto um doce com gosto amargo.

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